 |
A pós-modernidade questionou, entre outros assuntos, a supremacia da estética ocidental. Isto quer dizer que hoje artistas e intelectuais de todo o mundo tem porduzido múltiplos discursos hegemônicos questionando as idéias sobre arte e sua produção. Como resultado, alguns conceitos - historicamente ancorada no pensamento grego clássico - perderam o poder absolutista. Usando novas mídias, como fotografia, cinema, e/ou computadores, aparando as bordas, artistas têm desafiado a originalidade e a durabilidade do que eles criam.
A trajetória de Darlan Rosa na última década alinha-se com o argumento de transgressão. Sua produção artística está distante, por exemplo, do debate ontológico sobre o questionamento se a arte imita o mundo real (mimetismo) ou se produz (imperfeito) cópias de uma realidade ideal (utopia). Em vez disso, Darlan Rosa cria objetos tri-dimensionais que dialogam, ao mesmo tempo com o mundo sensível em que vive, e um simulado dentro de seu computador. Sem estar limitado por qualquer um deles.
As peças apresentadas nesta exposição foram concebidas dentro de um cenário sem gravidade, invisivelmente codificados como seqüências de? 0s e 1s. Para começar, Darlan utiliza um software de animação 3D na elaboração da realidade imaginada dentro do mundo dos computadores, ou realidade virtual. Dentro dos domínios da Gravidade zero, Darlan articula matrizes positivos que podem ser (re) construídos no mundo tangível, apesar de nunca deixem de existirem como artifícios ou simulacros. Darlan Rosa certamente beneficia a habilidade com que as telas de computador transmitir similitude. No entanto, nesta fase, a produção de imagens não parecem ser uma preocupação prioritária. Os esboços virtuais são desenhados com sua caneta digital, que acompanha a mudança na arquitetura de utilizar software equipados com os princípios do padrão de construção como uma ferramenta de elaboração. Dentro deste ambiente digital, mais importante, o artista gera uma série de instruções matemáticas que, uma vez lido por outra máquina, vai fabricar os objetos materiais com os quais ele faz arte.
Na próxima fase de seu processo criativo, Darlan fragmenta os desenhos gerados pelo computador em objetos bidimensionais, ou partes, traçados no Mundo real através do uso do lazer. Para cada obra de arte, Darlan Rosa utiliza a tecnologia laser para corte de um conjunto de placa de espuma, alumínio ou painéis de aço inoxidável modular que ele monta com a mão. Encarando o mundo concreto dos seres vivos, o artista levanta esse desenho mecanicamente esboçado, dobras e os desdobra, envolvendo o espaço vazio em esferas ocas. Os olhos do telespectadores viajam pela superfície contínua de suas peças, a justaposição entre o espaço positivo e negativo, matéria e vazio, desencadeia uma seqüência cinestésica de novas formas. Em cada objeto de arte, as formas orgânicas dialogam com as partes e sobreposições geometricamente imaginadas, com tal agilidade, que puxam o vazio esférico em gravidades sólidas. |
|